Glossário Técnico RenauxView
- RenauxView

- 18 de dez. de 2025
- 8 min de leitura
A indústria têxtil possui uma linguagem própria — composta de termos que descrevem técnicas, estruturas e processos que dão forma a cada tecido.
Este glossário reúne as principais expressões utilizadas no universo da tecelagem plana (bem como seus correspondentes em inglês), organizadas pelas etapas produtivas: fiação, pré-tecelagem, tecelagem, beneficiamento, enobrecimento e tipos de tecidos.
Serve como referência prática para equipes de estilo, desenvolvimento, engenharia têxtil, comercial e acadêmica.

1. Fiação (Spinning)
1.1 Fiação Open-End (Open-End Spinning)
Processo de fiação em que o fio é formado em uma câmara rotativa, sem uso de fusos. Produz fios mais volumosos, com toque rústico, boa cobertura e resistência intermediária. É amplamente utilizado em artigos de maior gramatura.
1.2 Fiação de Anel (Ring Spinning)
Método tradicional de fiação em que o fio é torcido e enrolado por meio de fusos e anéis. Gera fios finos, regulares e resistentes, ideais para tecidos de alta qualidade e toque suave.
1.3 Algodão Penteado (Combed Cotton)
Algodão submetido a penteadeiras que removem fibras curtas e impurezas, resultando em fios finos, uniformes e macios — típicos de tecidos premium.
1.4 Flamê (Slub Yarn)
Fio de espessura irregular, com engrossamentos distribuídos aleatoriamente ao longo de seu comprimento. Confere aspecto artesanal, textura e irregularidade visual ao tecido.
1.5 Botonê (Neppy Yarn)
Fio contendo pequenas “bolhas” ou “nós” coloridos incorporados durante a fiação. Cria pontos de cor e textura, muito usado em tecidos casuais e decorativos.
1.6 Chamusqueio de Fio (Yarn Singeing)
Queima controlada das fibras superficiais dos fios, realizada após a fiação para eliminar pelos e melhorar a regularidade e o brilho do fio. O fio submetido a este processo também é conhecido como fio gaseado (gassed yarn).
1.7 Fio Tinto (Yarn-Dyed)
Fio que recebe tingimento antes da tecelagem, garantindo cores sólidas e precisas.
É utilizado na urdisagem e na tecelagem de padrões listrados e xadrezes.
Essa técnica permite padronagens mais nítidas e duráveis do que as obtidas por estamparia posterior, além de ser, ao contrário de estampados, visível em ambos os lados do tecido.
1.8 Fio Compact (Compact Yarn)
Fio de alta qualidade produzido pelo processo de fiação compacta em filatórios de anel, no qual o pavio é submetida a um sistema de sucção logo antes da zona de torção. Essa sucção reduz de forma significativa o “halo” de fibras soltas ao redor do fio, orientando as fibras de maneira mais paralela e compactada. O resultado é um fio mais limpo, com menor pilosidade, maior resistência, melhor regularidade e aparência mais lisa. É amplamente utilizado em tecidos finos, camisas premium, bases para estampas de alta definição e artigos que exigem excelente resistência ao pilling e toque superior.
2. Pré-Tecelagem (Weaving Preparation)
2.1 Urdume (Warp)
Conjunto de fios dispostos longitudinalmente em um carretel ou rolo — o rolo de urdume — que será colocado no tear. (Esses fios permanecem tensionados durante toda a tecelagem e formam a base estrutural do tecido plano.)
Os padrões listrados e xadrezes começam a ganhar forma já no processo de urdimento, pois as cores e repetições definidas no desenho têxtil precisam ser cuidadosamente dispostas lado a lado conforme o padrão desejado.
Existem dois tipos principais de urdideiras:
• Urdideira contínua, utilizada para tecidos lisos ou de cor única, que forma o rolo de urdume de modo direto e uniforme;
• Urdideira seccional, usada na confecção de listrados e xadrezes permitindo organizar faixas de padrões e/ou cor com precisão.
Durante o urdimento, os cones de fios são dispostos em uma gaiola (creel), de onde são puxados em fitas (ou seções) de acordo com o padrão do tecido. Quando todas as fitas correspondentes ao desenho estão prontas, elas são transpostas da urdideira para o rolo final, pronto para seguir à engomagem e tecelagem.
2.2 Engomagem (Sizing)
Aplicação de uma solução de goma (amido, PVA ou acrílico) nos fios de urdume antes da tecelagem. Essa camada aumenta a resistência ao atrito e reduz quebras durante o processo.
3. Tecelagem (Weaving)
3.1 Tear (Loom)
Máquina responsável por entrelaçar os fios de urdume e trama para formar o tecido plano.
Alguns teares fazem a inserção da trama por meio de pinças e outros através de jatos de ar, cada qual com diferentes especificidades e velocidades.
Cada tear é montado com dois ou mais quadros (harnesses) — estruturas móveis que sustentam os fios através dos liços — e que se movem alternadamente para criar a cala, abertura pela qual o fio da trama é inserido.
O controle do número e da sequência de movimento dos quadros é o que define o ligamento ou construção do tecido, determinando se ele será, por exemplo, tela, sarja, cetim, maquinetado, etc. Quanto mais complexo for o ligamento do tecido, maior será o número de quadros necessários.
Além disso, o tear pode estar acoplado a uma máquina Jacquard, sistema que controla grupos de fios, ou até mesmo fios individuais, de urdume, para permitir a produção de desenhos e padronagens complexas.
3.2 Trama (Weft)
Conjunto de fios transversais ao urdume, inseridos no tear por meio de lançadeira, pinça ou jato de ar, formando o entrelaçamento que dá origem ao tecido.
No tear, cada fio do urdume passa por um liço — pequeno anel de metal ou nylon — preso a quadros (harnesses ou heddle frames) que se movimentam alternadamente, elevando e abaixando grupos de fios. Esse movimento cria uma abertura denominada cala, por onde o fio de trama é lançado transversalmente.
3.3 Ligamento (Weave)
Padrão de entrelaçamento entre urdume e trama. Define o comportamento, o toque e a aparência do tecido. Os principais tipos são tela (plain), sarja (twill) e cetim (satin).
3.4 Tela ou Tafetá (Plain Weave)
Ligamento mais simples e estável. Os fios se cruzam alternadamente, formando superfície uniforme. Base de tecidos como tricoline, voile e popeline, conhecidos pela leveza e resistência.
3.5 Sarja (Twill)
Ligamento que apresenta diagonais visíveis, obtidas por deslocamento regular dos fios. Proporciona elasticidade, resistência e caimento superior — usado em gabardine, denim e chino.
3.6 Cetim (Satin)
Ligamento em que predominam fios de urdume ou trama na superfície, criando brilho acetinado e toque liso. Aplicado em tecidos elegantes, de moda e decoração.
3.7 Maquineta (Dobby Weave)
Sistema de tecelagem com controle de grupos de fios, permitindo desenhos geométricos pequenos e regulares. Gera texturas e relevos sutis, comuns em camisaria, moda casual e tecidos decorativos.
3.8 Jacquard (Jacquard Weave)
Tecido produzido em tear com controle individual de cada fio de urdume, ou de grupos de fios de urdume, possibilitando desenhos complexos e detalhados. Com esta técnica é possível criar tecidos de gravataria, brocados, gobelins, etc.
3.9 Panamá (Basket Weave)
Ligamento derivado da tela, em que dois fios de urdume e/ou trama se entrelaçam (pode ser de urdume, trama ou os dois). Confere textura trançada e encorpada, ideal para tecidos rústicos e Oxford.
4. Acabamento (Finishing)
4.1 Desengomagem (Desizing)
Remoção dos resíduos de goma aplicados durante a engomagem do urdume. Feita por ação enzimática ou lavagem alcalina, é essencial para permitir a penetração uniforme de corantes e produtos químicos nas etapas seguintes.
4.2 Lavação (Washing)
Limpeza inicial do tecido cru para eliminar óleos, ceras e impurezas naturais das fibras. Esta etapa prepara o tecido para receber tratamentos químicos posteriores.
4.3 Alvejamento (Bleaching)
Processo de branqueamento realizado com agentes oxidantes (como peróxido de hidrogênio), visando uniformizar a coloração natural do algodão e abrir caminho para o tingimento ou a estamparia.
4.4 Vaporização (Steaming)
Etapa aplicada após a estamparia digital para fixar os corantes sobre as fibras.
O tecido é exposto a vapor saturado em temperatura e umidade controladas, garantindo intensidade e solidez de cor.
4.5 Indireitamento de Trama (Weft Straightening)
Processo mecânico realizado na entrada da máquina de ramar para corrigir ondulações ou inclinações do xadrez. Sensores ópticos detectam distorções no tecido e sistemas de rolos articulados reposicionam as tramas até que fiquem perfeitamente ortogonais ao urdume.
4.6 Controle de Skew (Skew Correction)
Complementar ao indireitamento, ajusta a torção residual da trama nos tecidos de ligamento sarja e assegura que o tecido mantenha alinhamento e planicidade durante as etapas de secagem e estabilização dimensional (ramagem).
4.7 Ramagem (Stentering)
Acontece na rama, um equipamento formado por câmaras isotérmicas que executa processos físicos e químicos responsáveis pela estabilização dimensional em largura e amaciamento do tecido. Neste processo ocorre a aplicação de emulsões amaciantes que reduzem a rigidez do tecido e proporcionam toque sedoso e conforto sem comprometer a estabilidade.
4.8 Chamusqueio (Singeing)
Queima controlada de fibras superficiais através da passagem do tecido por chamas de alta pressão e poder de combustão. O objetivo é eliminar fibras superficiais para deixar o tecido liso, limpo e com melhor toque e uniformidade.
4.9 Navalhamento (Shearing)
Processo aplicado a tecidos jacquard que apresentam fios desligados (lancê) flutuando no avesso ou entre áreas do desenho. Por meio de lâminas, esses fios flutuantes são cortados revelando o motivo tecidual com contornos nítidos. O resultado é um efeito visual semelhante ao de um bordado recortado.
5. Enobrecimento (Textile Enhancement)
5.1 Mercerização (Mercerization)
Tratamento químico com solução alcalina sob tensão controlada, que confere brilho, resistência e maior afinidade tintorial às fibras de algodão.
É amplamente aplicado em tecidos de algodão penteado e fios nobres, elevando o padrão visual e a durabilidade.
5.2 Calandragem (Calendering)
Compactação do tecido pela passagem entre cilindros aquecidos sob pressão.
Proporciona superfície lisa, brilho controlado e toque encorpado, sendo usada em artigos de alfaiataria e camisaria premium.
5.3 Carbon brush (Carbon brush)
Processo mecânico com rolos revestidos por cerdas de carbono que atuam suavemente sobre a superfície do tecido, gerando toque aveludado.
5.4 Lixa de diamante / Peletizado (Brushing / Peaching)
Máquina com cilindros revestidos com lixas de diamante que promovem uma abrasão controlada que rompe microfibras superficiais, conferindo toque macio, aparência difusa e leve opacidade. O efeito macio e aveludado é conhecido como peletizado ou efeito pele de pêssego.
5.5 Flanelagem (Raising / Napping)
Processo mecânico que utiliza agulhas de aço em cardas rotativas para romper e levantar as fibras da superfície do tecido.
Dependendo do efeito desejado, pode ser feita em uma ou nas duas faces do tecido.
A flanelagem difere do carbon brush e da peletização pelo grau de penetração e pelo volume de fibra levantado — enquanto estes suavizam ou aveludam a superfície, a flanelagem cria uma camada visivelmente peluciada e aumenta o isolamento térmico do tecido.
(Veja como é o processo de flanelagem em artigo dedicado ao assunto clicando aqui)
5.6 Beneficiamento Italiano (Italian Finishing)
Conjunto de técnicas que combinam bio-processamento enzimático a um processo de abrandamento mecânico da fibra do tecidos realizado em maquinário de tecnologia italiana.
Resulta em tecidos de toque refinado e alta maciez, típicos dos artigos premium da RenauxView.
5.7 Enobrecimento Funcional (Functional Finishing)
Tratamentos que agregam propriedades específicas de desempenho ao tecido — como repelência à água, antirrespingos, proteção UV, antiodor ou antibacteriano — sem alterar sua aparência ou toque original.
6. Tipos de Tecidos e Aplicações (Woven Fabrics & Uses)
6.1 Tricoline (Poplin / Broadcloth)
Tecido compacto de construção tela, com toque suave e ótimo caimento. Amplamente utilizado em camisaria e moda casual.
6.2 Voile (Voile)
Base leve, translúcida e respirável. Tecida com fios finos de algodão penteado ou viscose, com baixa densidade de fios por centímetro quadrado, ideal para peças femininas fluidas.
6.3 Chino (Chino Fabric)
Sarja fina e densa, geralmente em algodão mercerizado. Tradicional em calças, bermudas e terninhos leves.
6.4 Gabardine (Gabardine)
Sarja compacta de alta densidade e toque firme. Usada em peças de alfaiataria e vestuário estruturado.
6.5 Flanela (Flannel)
Tecido escovado com toque macio e térmico, obtido pelo rompimento e elevação das fibras da superfície do tecido.
Usado em camisas, pijamas, calças, etc.
6.6 Oxford (Oxford Cloth)
Tecido de panamá de urdume e trama, normalmente bicolor.
Leve, durável e clássico, é símbolo da camisaria casual refinada.
6.7 Voile Flamê (Slub Voile)
Voile leve produzido com fio flamê, combinando transparência e textura rústica.
6.8 Cetim de Algodão (Cotton Satin)
Base de brilho natural e caimento fluido, obtida pelo ligamento cetim e pela mercerização do algodão.
6.9 Cotton Satin (Stretch Satin)
Cetim de algodão com elastano de peso médio e bastante elasticidade. Ideal para calças, bermudas, blazers, etc.
6.9 Viscolinho (Viscose-Linen Blend)
Mistura que une o frescor e a estrutura do linho ao toque suave da viscose.
Usada em saias, calças e blusas de visual natural.
6.10 Jacquard (Jacquard Fabric)
Tecido produzido em tear Jacquard com desenhos elaborados e alto valor estético, utilizado em moda premium e decoração.
Todos na "mesma página"
Com mais de um século de tradição têxtil, a RenauxView alia conhecimento técnico, criatividade e responsabilidade ambiental para transformar fibras em tecidos de alta qualidade. Compreender esses termos é compreender a linguagem da nossa indústria — a base do diálogo entre criação e produção.

